Comunicação Não-Violenta: Uma ferramenta poderosa na negociação

 

Você já ouviu falar sobre Comunicação Não-Violenta? Eu ouvi esse termo, há mais ou menos um ano atrás, quando conheci o Su. Na ocasião o Su, que é entusiasta da CNV, me explicou sobre como utilizar Comunicação Não-Violenta no dia-a-dia, e eu acabei por considerar a CNV uma ferramenta excelente para negociações de prioridades e reuniões com os mais diferentes stakeholders.

Para introduzir o assunto a vocês, eu entrevistei o Su Kei-Wei, entusiasta da comunicação não-violenta e palestrante no assunto.

P: O que é Comunicação Não-Violenta?

Apesar do termo “não-violento” no nome, trata-se de exercitar discursos que encorajem a colaboração dos ouvintes, e também, escutar no meio de todas palavras do solicitante, as necessidades não atendidas, sem atribuição de culpa ou punição. Parece utópico, mas Marshall Rosenberg aprimorou estas técnicas por duas décadas e chegou a treinar missões de paz da ONU, em conflitos armados com este método.

P.: ⁠⁠⁠Fale um pouco mais sobre Marshall Rosenberg.

Sim, a primeira vez q eu ouvi o termo Comunicação não-Violenta, eu logo perguntei do que se tratava, e soube que haviam grupos de estudo no assunto, baseado em pesquisas do dr Marshall Rosenberg, americano PHD de psicologia clínica.

Marshall observou que intuitivamente, muitas pessoas conseguiam empatia dos ouvintes e conseguiam encorajar colaboração voluntária. Ele passou a palestrar sobre o tema e ao mesmo tempo, aprimorar técnicas e desenvolver diálogos cada vez mais eficazes.

A segunda curiosidade, é que Marshall se inspirou no trabalho do educador brasileiro Paulo Freire, que defendia que o educando aprendia com a prática e que era necessário elaborar meios de cada educando também se tornar um educador, simplificando e sintetizando o ensino

Pois bem, sintetizou então todos as técnicas em 4 passos, que cada vez que aplicamos numa situação nova, ou mesmo já conhecida, temos a oportunidade de aprender mais e melhor sobre cada etapa.

Para encorajar a colaboração e criar um clima de empatia:

  1. observar sem avaliar – mais fatos e menos críticas ou julgamentos
  2. expressar sentimentos – mais sentimentos e menos opiniões ou acusações
  3. identificar necessidades – mais necessidades e menos estratégias ou barganhas
  4. formular pedido – mais pedidos, menos ameaças ou exigências

Para cada um dos nosso tipos de relacionamentos (pessoal, profissional ou corporativo) podemos aplicar uma releitura de cada um destes passos.

P.: Porque precisamos de uma Comunicação Não-Violenta?

Estamos na era da cooperação. É tudo cooperativo. Mas também fingimos cooperar. Por que fingimos? Bom, certamente o medo de criticado e a ameaça de punição podem fazer pessoas articularem defesas, inclusive fingirem cooperação. Será que, mesmo involuntariamente, fazemos discursos que causem esta reação?

P: Você acredita que a Comunicação é uma habilidade essencial? Por quê?

Eu considero essencial nos tornarmos o mundo em que queremos viver. E eu quero viver num mundo de gentileza e eficiência. Eu não consigo imaginar quanta energia se perde construindo defesas para fogo-amigo, para a artilharia da nossa própria equipe! Colaboração é fundamental e eu encontrei ferramentas eficazes na Comunicação não-violenta, para todos os ambientes, seja no corporativo, seja no profissional, seja no pessoal.

P.: Como você avalia o modelo de comunicação atual?

Nossa sociedade foi construída baseado em poucos nobres e muitos vassalos. Os vassalos podiam ganhar títulos de nobreza eventualmente! Assim, para manter o funcionamento da sociedade, os nobres ORDENAVAM, vassalos tinham de obedecer ordens ou seriam punidos. E quando um vassalo se tornava um nobre, perpetuava a prática! Uau!

E é com tristeza, mas com esperança que eu digo: ainda vivemos neste modelo de sociedade e comunicação retribuitiva. “Eu interpreto violência, eu discurso com violência. Eu interpreto crítica, eu discurso com críticas. Se você não me atender, vou te punir!…”

Já a comunicação não-violenta tem foco em atender necessidades, restaurar anomalias, colaborar com o sucesso comum, é algo bem scrum, é algo como a justiça restaurativa.

Tomara que em breve, tenhamos mais exemplos de empresas e equipes assim, engajados, colaborativos e eficientes!

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Su Kei-Wei é Ativista e Praticante da CNV Comunicação não-Violenta. 

Acesse a agenda de palestras de CNV neste link: Agenda

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