Sobre a necessidade de desligar

Já confessei e repito: Sou apaixonada pelo que faço. Nem sempre da forma mais certa, mas apaixonada o suficiente pra me importar – e muito – com os resultados do que faço e o meu impacto profissional em outras pessoas.

E talvez eu seja antiquada nesse ponto, mas: tenho necessidade em desligar. Em desligar da vida online, do LinkedIn, de não atender telefonemas. Em me desligar e ficar totalmente offline.

Geralmente neste período desligada eu leio algo que gosto, livros de ficção, revistas, referências de decoração… Também gosto de trabalhos manuais, criar, cozinhar, comer, beber, meditar ou fazer exercícios. Ou até mesmo refletir sobre a vida e pensar textos como esse. Gosto de estar entre amigos e aprender com eles. Aprender seria minha palavra-chave. Tudo o que faço está ligado ao aprendizado, a me tornar uma pessoa melhor e a devolver isso para as respectivas áreas da minha vida.

O mundo que me cerca tem uma dinâmica diferente: O tempo todo chegam mensagens de WhatsApp (inclusive do grupo de Análise de Negócios que administro), mensagens do Facebook, Slack, LinkedIn, Hangouts, Skype, dentre outras redes ou aplicações. É importante estar conectado. Mas até quanto?

Percebo que frequentemente as pessoas perdem a mão nesse quesito.

Quando foi que nós deixamos de reconhecer pessoas plurais e passamos a exigir dessas pessoas que elas fiquem conectadas o tempo todo? Que respondam e-mails durante as madrugadas? Que atrelamos isso a um padrão ideal de trabalho, a comprometimento?

Quando foi que passamos a negar às pessoas qualidade de vida, assumindo que quanto mais tempo elas passam no trabalho, mais produtivas elas são?

Organize. (3)

Até quando você vai ganhar dinheiro criando o caos?

Nesses 13 anos em consultorias, vi atitudes executivas bastante peculiares. Entretanto, uma delas me chamou bastante a atenção e é o foco deste artigo: O fato de criar o caos para vender a solução.

Eu nunca entendi esse tipo de abordagem, porque acredito em relacionamentos com clientes a longo prazo. Mas eis o que acontece: Uma determinada empresa é contratada para executar um projeto, e durante a execução do projeto decisões ruins são tomadas, porque a consequência seria vender mais horas para consertar o problema. Alguém já passou por isso?

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Mas, afinal, o que é sucesso?

Publicado originalmente em 9 de março de 2017, no Linkedin

Primeiramente, me perdoe pelo erro de português na imagem. Se você chegou a este texto, assim como eu você duvida do conceito de sucesso dos dias de hoje. A imagem do texto menciona sacrifício, trabalho duro, bons hábitos, dedicação, pra chegar ao sucesso. Mas o que é sucesso?

Muitas frases “motivacionais” são lançadas dentro do LinkedIn e de todas as redes sociais para tentar direcionar pessoas ao sucesso. E as pessoas persistem, trabalham duro, se dedicam… Mas pra quê mesmo?

Antes de concordar com a imagem, proponho uma reflexão: Essa pessoa tem sucesso ou é feliz? Será que sucesso é sinônimo de felicidade? Continue lendo “Mas, afinal, o que é sucesso?”

Será que você faz parte da Geração Mimimi?

Originalmente Publicado em 9 de setembro de 2016, no Linkedin.

Nas últimas semanas, tem aparecido nas timelines tanto do Facebook quanto do LinkedIn, alguns textos bem interessantes sobre vida profissional. E claro, estes textos viralizaram.

Um texto é o da Ruth Manus, que fala sobre toda uma geração que pede demissão e vai ser feliz fazendo outra coisa. Outro, da Yasmin Gomes, fala sobre a realidade de pessoas da mesma geração que não podem pedir demissão, por serem responsáveis por famílias e terem em seu trabalho a principal fonte de renda.

Outro texto fala de Bernardinho e sua mudança no estilo de liderança, atribuindo a ele a fala:

” Quando eu gritava com a geração passad a, eles se sentiam estimulados em me provar que eram capazes. Esse time não, se eu passar a tensão pra eles, eles absorvem, ficam nervosos e não respondem bem.”

Mais um episódio ocorrido em meados de agosto de 2016, fala de uma planilha com depoimentos anônimos de publicitários e jornalistas sobre como é o ambiente de trabalho em uma agência ou redação jornalística. A repercussão negativa da planilha foi inevitável. Haviam diversas denúncias de violações a leis trabalhistas por lá.  O texto teve como resposta a postagem no site Meio&Mensagem dizendo:

Você já motivou seu chefe hoje? É preocupante ver uma geração quase inteira desmotivada, reclamando de tudo, sem parar para pensar que motivação é uma via de duas mãos.

Descritos os fatos, chamo a atenção para algo que todos eles têm em comum: Pessoas insatisfeitas com seus trabalhos, ambientes de trabalho ou carreiras. Frequentemente vejo pessoas abandonando carreiras ou ambições por “isso não é pra mim”, “quero ir embora deste país”, “é só porque eu preciso…”, etc.

Pessoas que se identificaram com o texto da Ruth Manus também se identificam com essa ideia central, a de que é preciso equilíbrio na vida social e profissional. As pessoas descritas pelo texto da Yasmin Gomes também querem equilíbrio, mas não tem nem como requerê-lo, pois estão em situação desprivilegiada.

É fato e já foi publicado em mais de um veículo de comunicação que os melhores colaboradores não deixam suas empresas, deixam maus gestores. As reclamações são muitas: Falta feedback, excesso de trabalho, gritos e assédio moral fazem parte da lista.

Entretanto, na postagem sobre o Bernardinho várias pessoas afirmavam que Bernardinho “perdeu a mão” e que a nova geração é a “geração do mimimi”. Gabriela Hunnicutt, CEO da Bold, afirma em seu texto na Meio&Mensagem que a geração reclama de tudo, que os “chefes” também precisam ser motivados.

O termo “Geração mimimi” remete a reclamações desnecessárias, corpo mole. O próprio termo “mimimi” quer dizer “não quero te ouvir”, ou “o que você diz não é importante para mim”.

Mas será que estamos sendo justos? Será que as reclamações realmente não tem procedência? Será que não falta empatia por parte de quem ouve a reclamação? Veja, se há alguém reclamando, não seria esta uma excelente oportunidade de melhoria?

Vejo que ao invés de tentarmos melhorar nossas relações de trabalho, estamos simplesmente “pedindo demissão” e “aceitando as coisas do jeito que são”. Acredito que este seja o momento certo de tentarmos transformar nossas relações de trabalho.

O que você acha?

Onde você se vê daqui a 5 anos? Quais são seus planos a longo prazo?

*Publicado originalmente em 25 de agosto de 2016 no LinkedIn.

Depois de um período de pausa em minha carreira, estou retornando ao mercado de trabalho.

Sempre lido com este tipo de situação da forma mais descomplicada possível. Se eu domino algum assunto, tudo bem, se não domino, procuro estudar. Procuro sempre estudar novos nomes, novas tecnologiasmesmo que a nova tecnologia não se enquadre em meu cargo atual ou tenha tido quaisquer experiências com tal tecnologia. Quem sabe?

No entanto, nas últimas semanas, fui surpreendida com uma pergunta bem comum nos ambientes corporativos e principalmente de RH: Onde você se vê daqui 5 anos? 10 anos? Quais são seus planos a longo prazo? Me lembro que tentei ser o mais sincera possível, dizer algumas coisas que pretendo fazer ou pretendo estudar, mas o principal: Que pretendo ser melhor do que sou hoje.

Há 5 anos atrás eu possuía um plano para minha carreira, e não correu bem como o esperado. Não estou no lugar onde esperava estar, e nem quero mais estar nesse lugar. No meio do caminho os planos mudaram, eu mudei.

Aprendi a criar planos de curto prazo, de médio prazo. Cinco anos para quem trabalha com Projetos de TI é muita coisa. Vive-se 5 anos em 5 meses, temos experiências que nos tiram o fôlego, que são apaixonantes, que nos destroem e que nos reconstroem em um curtíssimo espaço de tempo. Conhecemos pessoas que temos contato diário, e no ano seguinte são apenas mais um contato de trabalho, cuja distância é ampliada pelos longos horários de expediente e prazos a serem cumpridos.

Aprendi que tirar planos do papel é executá-los ainda hoje, e que o amanhã é um reflexo do que faço todos os dias. Que o que vale de verdade é a trajetória.

E você, o que pensa sobre isso?